REDE
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
Limpo as manhãs
que escorrem
dos meus olhos
para encontrar teu sorriso,
rede de prender
passarinhos.
As dores são curvas
angulosas
do começo ao avesso
do querer,
mas o amor é retilíneo
e não muda.
DESEJO
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
[ No encontro de setembro do Café Filosófico no MEZCLA ( Juiz de Fora - MG), o ator Tarcísio Mendes me fez a grata surpresa de apresentar este meu poema em meio a poemas de autores consagrados. Nem acreditei no que ouvia e confesso que disse baixinho: eu conheço estes versos... Quero agradecer ao Tarcísio por esta grande emoção]
Ah… Eu não queria ter esses olhos
que vasam a essência
dos seres que amo.
Não queria que o silêncio
fosse a minha melhor forma de dizer:
entendi quase tudo.
Ah… Como eu queria entender pouco da
vida, do mundo, dos seres…
Como eu queria poder crer
que algo realmente dure.
Bando de luzes,
de sons, de cores,
trespassam-me e sei…
passam.
Abraço formas vazias
inutilmente.
Ah… Com eu gostaria de ter braços-tentáculos
capazes de reter alguma coisa.
TRANSBORDAMENTO
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
Naquele ponto cinzento
do viver…
entre o dia e o amanhecer…
na opacidade de todas
as coisas…
no atordoamento
dos sentidos
ensimesmados…
no ponto e vírgula
do entendimento;
o jasmineiro
se encheu de flores.
NATUREZA MORTA
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
[ Natureza morta de Ivonezyo Ramos]
Misturava café com leite
e tristezas
para tomar sem açucar.
Sorvia aos poucos
sem fazer ruído
olhando atentamente
seu rosto estranho
no fundo da xícara.
Estabelecia
um diálogo mudo
consigo mesma
passando a limpo
velhas histórias
antigas músicas
delírios do sol
nas tardes de vento
e todas as evocações
do tempo longelíneo.
Lá fora,
o mundo indomável
fervilhava flores de outono…
Misturava café com leite
e abandono
e bebia sofregamente.
DA VARANDA
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Prosa poética
Olhava a vida da varanda.
E a varanda era dialeticamente hermética.
Dela, via as casas brancas serpenteando o vale,
subindo e descendo a montanha, grandes e pequenas.
A varanda era seu porto, sua âncora, seu farol, seu caleidoscópio,
seu olho no olho de olhar mandalas,
círculos de flores, berço de cigarras, estação de pássaros,
refúgio de seu jasmim de poeta, enroscado de flores.
A varanda era canção dos ventos nos sinos
que alcançavam estrelas no chão da noite,
lanterninhas brilhando nos postes das ruas
e nas casas adormecidas.
Da varanda vigiava as hortênsias
em azul de crescimento, claro e profundo;
os ramalhetes de rosinhas carmim,
flores de cetim no caramanchão imaginário;
e as lavandas de flores postas
pedindo água para o futuro.
Da varanda alcançava sua melhor parte,
sua vida verde de outono.





