Notícias da lua
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
[ Imagem de Cristine Guadelupe]
NOTÍCIAS DA LUA
maria helena sleutjes
Aquela lua
impostora
pergunta-me de ti
constantemente.
Desconverso
guardo segredo
nada digo.
No céu
as estrelas viajam
na noite,
naves
navegantes do teu sol
que recolho.
Natal aos cacos
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Artigos
Que o Natal era isso, que o Natal era aquilo, ela bem sabia. Que o Natal estava acabando, ela ouviu de diversas pessoas em 2011. Ela também estava cansada deste Natal de todos os anos, este Natal que não vinha, que passava por perto mas nunca chegava.
Tinha árvore, luzinhas pisca-pisca ( uma multidão), incenso, mirra e meias de lã bem compridas como os sonhos. Tinha! Tinha nada… Não tinha. Natal que era bom, coisa nenhuma!
O Natal virou chuva, pensava, enchente, desamparo,constatava, correria, trânsito intransitável, comércio abominável.
- Natal não era paz e harmonia? Perguntava-se e respondia. – Era! Passado do verbo ser. Agora Natal é ruído, stress, repetição sem sentido em cidades desingonçadas, cheias de catadores de coisas nas lojas e catadores de lixo nas calçadas.
Lembrou Jesus, o aniversariante. Por onde andaria?
Viu Cristo ainda dormindo ao relento todas as noites, em todas as partes do mundo.
E nós? Catadores de cacos.
Possibilidades de Natal
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
Será Natal, se for possível
esquecer as desventuras
e acender as luzes
da manhã…
Perdoar perdoando-se
incansavelmente
e ainda, e apesar de,
poder arrumar a mesa
e repartir o pão.
Será Natal, se for possível
abandonar as armas
e encher as taças, os copos,
as bacias, os jarros e os potes
de água limpa, e vinho bom,
de solidariedade, afeto
e compreensão.
Será Natal, se for possível
movimentar dentro de si
a luz circular do mundo
onde tudo é sempre
total e completa
renovação.
Tanto que sonho (infantil)
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas

[ do livro: O baú das poetas piratas]
Sonho que sou
uma borboleta violeta
bailando sobre as flores.
Sonho que sou
um raio de sol amarelo
derramando-me no infinito.
Sonho que sou
uma fada cor-de-rosa
que muda a direção do vento.
Sonho que já não sou criança,
mas que estou num conto de fadas
com príncipe encantado
e cavalo branco.
Acordo assustada!
O príncipe e seu
cavalo branco
viraram poeira na estrada!
OLHO OBLÍQUO – Alessandra Espínola
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
“Todas as ruas do mundo
viraram
linhas de se perder
serpenteando os rios do ser.”
(Maria helena Sleutjes)
Te olho de modo oblíquo que é como te mirar o olho em frente num perfil,
te amorosa helena te quero muita maria maria! a vida é centrífuga não fuja pega!
uma hélice girando veloz no centro-mente impossível dos nós tudo cerca corta
atinge atravessa nossa lente de esfinge que interroga e desvela e tem uma coisa que fica:
o bico pinçando adocilações nas árvores das ruas paralelas, asas sibilando janelas
e o vento de viés toca ciranda-coragem na bruta flor do tempo.
Teu olhar me serpenteia penteia meus cabelos de menina,
as tranças uma a uma desfaz e o alívio pousa e voa. fios de cabelos soltos
se perdem e fazem linhas ninhos para memórias plantadas no deserto.




