MARIO LENZ
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Prosa poética
Mario tem o olhar compriiido…
desses que caminham com os rios
azulando o fio da estrada,
e a fala maaansa,
quase acetinada,
ornada de palavras de ânimo e coragem
Nas pausas, o sorriso.
Mário tem muitos sorrisos,
todos recém-nascidos
e saídos de sua caixa de encantar pessoas.
Nos braços, carrega consigo muitos frutos,
colhidos no manancial
da verdadeira amizade.
[Para você, Mário, com um grande e querido sorriso]
COMO UM VELHO PEREGRINO
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Prosa poética
Como um velho peregrino, uma emoção esmaecida tomou conta dos meus olhos. Eu poderia lhe dizer que visto noites e dias vazios mas não digo. Não digo porque se dissesse tudo estaria terminado. Olho esta distância insondável e percebo que minha paisagem sem limites é um pequeno arbusto. Será que envelheci? A vida começará a me tirar aos poucos quase tudo? Tenho saudades do amanhã que já não pode mais existir.
GOTA
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Prosa poética
Persigo-me, na beirada das ruas,
no zig-zag das auto-pistas,
no intervalo das montanhas,
no plenilúnio de julho,
silente e aveludado.
Sei…
Sou ramagem balançando sua sombra.
Ah, este ir-se da vida a cada instante,
este fluxo e refluxo das marés
inscritos no oceano,
este semi-voo para perto,
para longe.
Eu,
peregrino de mim,
sondo-me,
escuto-me,
pressinto-me –
uma gota de orvalho
pendurada numa folha.
Para Alessandra Espínola
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas, Prosa poética
PARA ALESSANDRA ESPÍNOLA
maria helena sleutjes
Entortei algumas palavras para você, Alê, e elas tinham gosto de sal, aquilo que tempera a vida; tinham gosto de chuva, aquilo que fecunda a terra; tinham gosto de manhã de primavera transbordando sempre-vivas, vivas, viva!!
Desabotoei umas palavras para você, e elas se vestiram de miosótis grudadinhos à minha roupa para falar de flores, de sol, de canção de ninar gente grande, de canções de ninar a lua.
Recolhi algumas palavras para você, e elas não cabiam na minha cesta, foram derramadas pelo caminho como estrelas que deslizam pelas noites azuis e infinitas.
Colori algumas palavras para você, com as cores do seu arco-íris interior e a terra ficou mais bonita, mais divertida, mais saudável, mais cheia de vida.
Desarrumei algumas palavras para você, e elas me falaram da beleza que há em algumas criaturas que a gente nunca viu, mas que conhece desde sempre, pessoas que se escreve com P maiúsculo o tempo todo, dessas que ultrapassam qualquer barreira e se lançam num mar de palavras sem limites: você Alê.
ENTARDECE ( prosa poética)
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Prosa poética

ENTARDECE
maria helena sleutjes
A tarde quedou-se assim, num delírio de cores angustiantes.
O dia precisava morrer?
Perguntei-me como quem não quer seguir adiante
mas não tem alternativa.
Um tom metálico, nem negro nem cinza,
de coisa não finda nem ressuscitada,
crescia na distãncia de todas as coisas vivas.
A vida se foi ou ainda está viva?
Quem vê e sente toda esta mistura?
Meus olhos, que pintam enganos na tela da minha mente?
Não confio neles.
Trêmula, minha alma vacila.
Seria ela a criatura misteriosa que dentro de mim conta silenciosamente os pingos de chuva?
Sentimentos amotinados combinam com este quadro escuro.
No tabuleiro de xadrez, bispos e cavaleiros marcham convulsamente sobre a minha sorte.
Perco a partida.
O que poderia tocar-me profundamente agora?
Não ouso mover um músculo.
E a noite desce plácida e serena como se o sentir humano não existisse.
Pergunto-me ao antever de relance a solidão que me espera:
Em que curva do caminho esqueci de desenhar teu vulto?




