SEMENTES DO NADA
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Prosa poética
SEMENTES DO NADA
Maria helena sleutjes
A poesia sempre esteve por aqui.
Muitas vezes correndo solta pela casa branca e ensolarada.
Outras vezes, dormindo sobre almofadas floridas para abismar as pessoas.
A poesia, algumas vezes, percorria os cantinhos em busca de aventuras. Aventuras para os sentidos. Pendurava-se às cortinas, adornava as paredes nuas de cores e luas, de borboletas aladas e gárgulas, aquelas estranhas criaturas.
Outras vezes, a poesia subia no telhado vermelho e quente e ficava lá no alto, apanhando sol aos bocadinhos. Isto era um completo perigo, pois se a poesia cochilasse, despencava casa abaixo.
No telhado, a poesia gostava de se ornamentar de pássaros e de se enluarar de esperança para esperar o amanhã. O amanhã que não vinha…
Às vezes, a poesia sonhava, sonhava com um amor que não existia, que estava na quintessência de Marte. Quando desconfiava desta trapaça da criação, então se desiludia, enviuvava, se comprimia, arfava, ferida de morte, se contorcia, mas sempre ressuscitava.
Por vezes, a poesia se cansava de tudo e aí, se escondia atrás da porta, fazia uma grande sombra. Neste estado a poesia só confiava nas palavras. Era uma poesia lacaniana.
Mas, quando a poesia se refazia, gostava de fingir que era água para irrigar as lavandas e as hortênsias.
Quando se refazia, plantava sementes do nada e colhia LÍRIOS.
7 Responses to “SEMENTES DO NADA”
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Ana Miranda Says:
February 13th, 2012 at 22:37O que dizer depois de ler essa MARAVILHA????
O quê????
Você é a poesia!!!
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helenaluna Says:
February 16th, 2012 at 15:29Sei que a poesia está sempre contigo, ela é teu alimento, a água que bebes… Semente que plantas com carinho e distribuis a mancheias. Helena
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Mario Lenz Says:
February 17th, 2012 at 11:11Vocé, Mhelena, é a própria poesia disfarçada de mulher. Nunca conheci ninguém mais poética que você! Abraços do Mário.
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Ana Másala Says:
February 19th, 2012 at 22:10Leio tuas palavras e sobreponho os meus significantes julgando , iludida, serem os mesmos que são teus. O que me dizes exatamente?Ah, fosse exato e não seria poesia. Na clínica devemos estar atentos para não empurrar nossos significantes sobre o outro, seja interpretando, completando…enfim, interferindo em suas construções ainda mais dando conselhos…Nos tropeços da linguagem e da emoção o inconsciente se apresentará, não é?
Ah, na poesia o poeta dispara o dardo e acerta alvos que lhe são desconhecidos; A palavra e seus sentidos …o poeta ,seus sentidos e sentimentos despertando os meus sentidos e os meus sentimentos.
A poesia brinca de se esconder às vezes nem acha o caminho de volta. Abrigada na grande sombra, enrondilhada em si mesma, sonha…
Bjs,Ana -
Maria Helena Sleutjes Says:
February 20th, 2012 at 21:00Ana, você sabe, muitas vezes nem o poeta sabe o que quis dizer exatamente. Como você mesma disse: “a poesia brinca de se esconder às vezes nem acha o caminho de volta”. Perdemos o poema logo que ele está pronto e alguém o lê. Ali, naquele momento, deixa de ser nosso e vai se amoldar a um sentir que, embora parecido, não será nunca o mesmo que deu origem ao poema. Mas se alguém gosta e se identifica, a magia está completa, ficamos menos sós no mundo. Obrigada, querida pela sua presença que muito me honra.
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Glória Says:
February 20th, 2012 at 21:52Q bom num dia de carnaval me abrigar à sombra de sua poesia ,longe das estridências só no rumorejar das suas palavras, irrigandos lavandas, dando a mão à poeta e percorrendo trilhas q ela inventa. Obrigada amiga. E q palavras nossa psicóloga= poeta achou para te dizer do dardo q atingiu lançado por v. Uma varinha de condão q faz brotar em outras almas sementes até então escondidas, beijo
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Maria Helena Sleutjes Says:
February 21st, 2012 at 12:53Ei, Glória! Saudades de você! Querida poeta e pintora, grande cultivadora de plantas-palavras e plantas-imagens especiais. Não consigo esquecer o grande privilégio de ter mergulhado em seu trabalho artístico e ter sentido parte desta sua grande emoção de existir. Foi algo que me tomou completamente e durante dias eu não conseguia tirar os olhos dos seus quadros e dos seus poemas, das interligações entre um e outro, da sua trajetória de vida tão bem desenhada nas palavras, das nuances do que lhe foi tão caro ao olhar, em seus quadros, e era ao mesmo tempo singelo, tão autêntico, tão particular. Não sei se tive a oportunidade de lhe dizer da minha admiração pelo ser humano e pela artista que você é. Aqui vai! Beijos
Beijos

