CHÁ COM POESIA NO CORREDOR CULTURAL

cha

Aconteceu em frente ao Teatro Central, ao ar livre, em Juiz de Fora, MG.,  ESTA DELÍCIA DE EVENTO ORGANIZADO PELA FUNALFA,  parte integrante do CORREDOR CULTURAL, que tive o grande prazer de apresentar.

O CORREDOR CULTURAL ACONTECE DURANTE DOIS DIAS NO ANO, DOIS DIAS DE MÚSICA, CINEMA, TEATRO, DANÇA, SHOWS, POESIA E ARTE  INVADINDO DIVERSOS PONTOS DA CIDADE SIMULTANEAMENTE.

TODOS OS INGRESSOS FORAM TROCADOS POR LIVROS PARA O ACERVO DAS BIBLIOTECAS PÚBLICAS.

Iniciativa mais que louvável!  Por isto, não posso deixar de cumprimentar o Toninho Dutra, superintendente da FUNALFA e sua equipe  que idealizaram e transformaram as idéias em ações efetivas.

POESIA PARA QUÊ?  Perguntariam alguns.

E nós, do CAFÉ COM POESOA ( e ARTE) responderíamos:

PARA MELHORAR O MUNDO.

Poesia na praça, na voz dos poetas, na boca do povo… Antes que a violência domine nossas cidades, vamos inundá-las com POESIA .

E deixar fluir aquilo que hoje é tão necessário para as pessoas -  ESPAÇO PARA O SENTIR.

Foi extamente isto que fizemos  aqui.

cha3

Aqui, um pouco antes de iniciarmos, com alguns integrantes

da equipe da FUNALFA.

cha2

Ao centro, Toninho Dutra e a poetisa Angelina Hardy Abbud, com integrantes da equipe da Funalfa.

O PÚBLICO FOI CHEGANDO DESCONFIADO.  Para que seriam aquelas mesas  com toalhas e um cardápio de POEMAS?

Chá 11

Mas aos poucos nosso espaço foi ficando assim:

Chá com poesia 10

Na foto acima,  estou com a escritora e professora de literatura Leila Barbosa, a escritora Vera Ribeiro Guedes, as professoras Katia Maria Rodrigues e Rosália Campos Lopes, o poeta Hernany Tafuri, entre outros.

cha5

Em primeiro plano na foto, está a Jacinta, poeta que reside em São Paulo e amiga da Ana Másala.

Abrimos a tarde com o Concerto Olho D´Água, tendo André de Oliveira ao violino e Alexandre Moraes ao violão – um show de música na praça.

Café com Poesia 6-10

No cardápio encontrávamos:

cha

AMOR BASTANTE

( Paulo     Leminski)

quando eu vi você

tive uma idéia brilhante

foi como se eu olhasse

de dentro de um diamante

e meu olho ganhasse

mil faces num só instante

basta um instante

e você tem amor bastante

um bom poema

leva anos

cinco jogando bola,

mais cinco estudando sânscrito,

seis carregando pedra,

nove namorando a vizinha,

sete levando porrada,

quatro andando sozinho,

três mudando de cidade,

dez trocando de assunto,

uma eternidade, eu e você,

caminhando junto .

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Declamando,  a poetisa Angelina Hardy,  demonstrou seu admirável talento e irradiou grande emoção e beleza.

Chá 14

Abaixo, integrantes do Grupo Café com Poesia ( e Arte) participando do evento.

Chá 7

(DEPOIS EU CONTO MAIS…)

(CONTINUANDO – DESCULPEM A DEMORA)

O Chá com Poesia contou também com a participação do

GRUPO ETC & TAL, que nos apresentou vários poemas musicados, alguns

“causos” bem mineiros e algumas músicas inesquecíveis

como  ” TRENZINHO CAIPIRA ” de Vila Lobos, lembram?

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra
Vai pelo mar
Cantando pela serra o luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar…

Chá 8

Um dos momentos marcantes foi a participação espontânea de um jovemde cabelos enrolados, que declamou um poema marginal.   Foi chocante, irreverente como é a própria vida. Um poema “revolt” que gostei imensamente.

Ana Másala fez um poema especialmente para este momento  que foi declamado pela Ana Miranda. Assim ela falou aos poetas:

Aos Poetas

Ainda que tarde,

a pele arde

e o poema se inscreve.

Então, o poeta brinca

de decifrar com letras

a direção dos ventos

para um voo solitário.

Todo poeta busca um tempo

que já não alcança;

outro tempo que ainda

é viagem;

nesse espaço interno…

nesse espaço imenso

entre a esperança e a saudade.

(Ana Másala)

Ana Miranda leu também nesta tarde, o poema da Carol,  sua filha ( Anna Carolina de 21 anos), vejam:

AMAR É…

Como definir o sujeito que ama?

Há tantos amores sem definição.

O mundo evoluiu, palavras apareceram

Outras sumiram, encurtaram.

Porém, ainda não denominamos

um dos seres mais queridos:

aquele que ama intensamente,

fielmente, eternamente.

Há quem diga AMANTE!

Não! Amante éo outro

pode até ser intenso, como dizia o poeta

“infinito enquanto dure”

mas é infiel, momentâneo.

Tem quem diga

que quem ama é AMADOR!

Parecia perfeito

Porém, amador é principiante.

Assim, classificariam as pessoas

que amam como principiantes,

mas e aqueles especilaistas,

como o nosso poeta acima?

Nem amante nem amador

Como denominar as pessoas

que insistem em amar neste mundo?

Talvez amar seja ser:

AMARANTE.

Chá 13

Nossa poetisa Vera Ribeiro Guedes apresentou seu poema METAMORFOSE e um dos poemas de Hernany Tafuri, ao seu lado na foto.

Abaixo os queridos amigos do Rio agora  conosco em Juiz de Fora: Angela e Paulo Cassino prestigiando nossa festa.

Chá 12

chá com5

Adesões espontâneas,  e aqui o registro  da leitura de um poema de cunho social bastante forte.

O que ficou muito evidente nesta tarde é que a poesia é uma forma multifacetada de expressão. Celebra a vida, chora a morte, se reveste de alegria  ou dor e sobretudo, toca profundamente o ser humano.

Aqui  estou com a nossa querida Ana Miranda, responsável pelas fotos, por boa parte de toda a nossa alegria pois fechou a tarde sambando ao som da música do GRUPO BOLA NA TRAVE (integrantes do Clube do Choro) que nos ofereceu música da melhor qualidade.

chá com poesia 19

Obrigada Ana  pela alegria e pelas fotos.  Obrigada queridos amigos do Café com Poesia ( e Arte).  Obrigada FUNALFA pela belíssima oportunidade.

Uma poesia em cada rua, deveria ser o lema de todas as cidades!

Até o próximo Café com Poesia ( e Arte).

“THEODORO E MARINA” NO COLÉGIO DE APLICAÇÃO JOÃO XXIII

O convite para falar sobre o livro Theodoro e Marina (confidencial) é resultado do lindo trabalho realizado neste Colégio com o genêro textual CARTA.DSC09189

DSC09198

Sob a coordenação da professora Vania Fernandes e Silva, as crianças do 4o. e 50. anos do Colégio trabalharam este genero e escreveram muitas cartas.

DSC09193

Na foto as  professoras Priscila Villela Delmonte e Tania Regina Peixoto da Silva estão ao lado do painel que exibiu o resultado do trabalho – cartas para os familiares, para os amigos e para os professores.

DSC09201

As professoras  ainda organizaram um amigo oculto de cartas.

E a partir das cartas  foi realizado também com as crianças um trabalho interdisciplinar pela professora de Arte ( Claudia), buscando imagens para falar do que as cartas sugerem ou possibilitam combinar – abraços, sorrisos, carinho, emoção – eis a opinião das crianças.

Teodoro_e_Marina

O Theodoro e Marina faz o maior sucesso entre as crianças e elas querem saber tudo. Quem são as autoras. Como tiveram a idéia de escrever o livro. Quem é o Theodoro. Quem é a Marina.   Quem teve a idéia dos envelopes no meio do livro. Quantos anos têm as crianças…

DSC09195

Mas o mais importante é perceber nas crianças um grande entusiasmo por esta forma de expressão.   As cartas permitem uma troca mais profunda entre as pessoas, elas também possibilitam um grande exercício de expressão e consequente aprimoramento do conhecimento da língua portuguesa,  e sobretudo,  suscitam a tão desejada PAUSA para uma maior reflexão neste mundo de comunicação instatânea através dos e-mails,

tão suscintos e velozes.

Ao colégio meus sinceros agradecimentos pela oportunidade  e cumprimentos  às professoras pela dedicação e o lindo trabalho realizado.

Agradeço também a bolsista Natáliaque nos acompnahou nesta visita.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Mas, para minha surpresa e grande alegria,   HOJE PELA MANHÃ RECEBI ESTE LINDO PRESENTE DA PROFESSORA TANIA REGINA:

Juiz de Fora, 22 de maio de 2010

Querida Maria Helena,

Foi um prazer recebê-la novamente em nosso colégio. Nunca escrevi poesias mas tenho muito interesse por esse gênero textual. Resolvi então agradecer sua presença com este acróstico em sua homenagem.

Abraços, Tânia.

Maria Helena…

M eiguice ao falar

A legria ao conversar

R isos contagiantes…

I rreverência ao escrever para crianças

A mor incondicional em declamar.

H oje irradia…

E legância,

L eveza e admiração por tanto

E ncanto em

N arrar

A venturas para as crianças…

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Respondendo à Tania:

Tania,

as coisas mais valiosas da vida nascem assim, espontaneamente, como as flores.  O acróstico é sempre uma fotografia da alma e esta fotografia que você tirou da minha alma  me deixou muito admirada comigo mesma! Não sou tudo isto,  não! Mas se seus olhos me viram assim, isto é uma grande felicidade. Obrigada por sua gentileza, atençao e esta troca maravilhosa!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

SERENIDADE

Borboleta na violeta

Em câmera lenta

o orvalho beija a rosa

e suavemente

se dissolve.

Nos acordes do tempo

a música da vida

toca

flauta-doce.

No sentir o mundo

as cortinas da alma

movem-se para a percepção

do todo.

A realidade mora

nas asas de uma borboleta atíria

que pousa leve

e etérea

sobre a folha.

RUMI- Filme de Valéria Sessa

“Nascido na Pérsia, Rumi viveu entre 1207 e 1273. Não há nenhum místico sufi tão conhecido no Ocidente como Djalâl-od-Din Rûmî.  Rumi foi um dos maiores humanistas e místicos muçulmanos, antecipando em duzentos anos traços essenciais do humanismo renascentista, como as idéias da tolerância religiosa e da força criativa fundamental do amor. A efusão do amor em Rumi abarca tudo aspirando a unidade : o universo, a natureza, as pessoas e principalmente Deus. Próprio da experiência místico-amorosa é a embriaguez do amor que faz do místico um “louco de Deus” como eram São Francisco de Assis, Santa Tereza d’Avila e também Rumi.

Como expressão dessa paixão sagrada, Rumi, inventou o Sama, a dança giratória dos “dervixes”, assim chamados. Como planetas que giram ao redor do sol, eles giram ao redor do seu próprio centro, simbolizado pelo coração, e ao redor de um centro projetado no ambiente, que representa o sol. A ação de girar repetidamente leva a um estado alterado de consciência, que produz uma espécie de transe ou êxtase místico.”

Rumi é reverenciado como um dos maiores escritores e mestres Sufi. Ele viveu numa época plena de efervescência cultural. Dizem que ele compunha seus versos enquanto dançava o Sama. Seus discípulos iam anotando enquanto ele declamava.

No filme pode-se apreciar A Gift of Love de Deepak Choopra,  música inspirada na poesia de Rumi. e os poemas: Um segredo – Bittersweet – I Am Yours – Behind the Scenes – Looking for Your Face – The Agony and Ecstasy of Divine Discontent .

Meus parabéns à Valéria Sessa por este trabalho sensacional!!!

DIGA

aZUL, AZUL

DIGA

maria helena sleutjes

Diga-me, meu amor,

de que cor são as estrelas

da noite,

aquelas que me falam

do teu cheiro.

Diga-me

do sabor de aurora

do teus beijos,

do sabor de madrugada

do desejo.

Diga-me, meu amor,

que o amor

tem dimensão palpável,

que ele nasce

sobre a relva

como nascem as flores

na primavera.

Diga-me o que mais importa

sem fazeres alarde:

Diga-me de ti

constantemente.