OCARINA
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
No meio da mata
um pássaro caminha
com uma ocarina
na boca
e canta
para encantar
a montanha.
A noite ressoa
os sonhos das cidades
decaídas.
Selvagem,
seus passos voam.
O mundo é velho
e quando fica cansado
é recriado através
desta magia:
assovia na ocarina
de novo.
Canta para inverter
a soma do quadrado
das raízes…
Canta para chamar
a semente
de um mundo
livre.
LENDO PELAS BEIRADAS – Leonardo Toledo
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
LENDO PELAS BEIRADAS é o título do excelente artigo de Leonardo Toledo para o Caderno Dois do Tribuna de Minas de 21 de março de 2010. Nele, fiz uma pontinha, vejam:
LENDO PELAS BEIRADAS
Leonardo Toledo
Repórter
A proibição que vigora em bibliotecas e demais acervos públicos pode ser, curiosamente, o fator que credencia determinados livros à categoria de obras raras. A abissal diferença está nas mãos de quem risca ou escreve nas páginas de uma publicação. Ao fazer anotações em exemplares de sua biblioteca pessoal, escritores e personalidades históricas agregam um valor inestimável a essas publicações, transformando-as em um rico manancial para pesquisa. Algumas vezes, as poucas linhas rabiscadas nas margens de uma página são a chave para desvendar a personalidade desse mesmo autor ou descobrir relações entre diferentes peças de um acervo que até então se mantinham encobertas.
Foi através de uma dessas anotações que os especialistas do Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) conseguiram identificar uma gravura de Pablo Picasso pertencente ao acervo do poeta juizforano, sob guarda da entidade. A chave, nesse caso, estava no catálogo da exposição em que Murilo havia arrematado a obra. Marcado com um asterisco, um dos títulos contava com a inscrição “É nosso”, feita a lápis.
Caso semelhante acontece no Museu Mariano Procópio, em que um livro sobre a coleção de numismática da Vicondessa de Cavalcanti, com correções feitas a lápis pela própria viscondessa, serve de guia para a organização do material. A obra de 1889 é apenas um dos exemplares raros que contém anotações de personalidades importantes na biblioteca do museu. A coleção conta com uma edição do poema “Licenciado de torralba”, de Ramón de Campoamor, com tradução do espanhol para o português feita por Dom Pedro II e redigida abaixo de cada verso. Segundo consta, o imperador se dedicou a esse trabalho durante a viagem de navio que o levou para o exílio na Europa.
O leitor por trás do escritor
A biblioteca de Murilo, que está sob guarda do Mamm, é pródiga em relação à chamada marginália literária, contando com várias edições com comentários do escritor. Isso deve-se, principalmente, à disciplina que o poeta tinha como leitor, mantendo o hábito de destacar trechos que mais o interessavam. A organização do escritor era tamanha, que ele costumava criar uma espécie de índice na última folha do livro, indicando todas as anotações feitas. “Ele era um pensador muito organizado. Quando algo o tocava mais forte, ele anotava”, sintetiza a responsável pela biblioteca do Mamm, Maria Helena Sleutjes.
Ainda segundo a estudiosa, a marginália pode ser a senha para saciar a curiosidade que o leitor naturalmente nutre pela pessoa por trás da obra. “Além do conteúdo das anotações em si, você estuda a forma que o escritor adquiria conhecimento. Isso traduz o artista. Quem é aquela pessoa que escreveu? Essa é a grande descoberta”, comenta.
Leia o artigo na íntegra no site do Tribuna: http://www.tribunademinas.com.br
IMAGENS
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
maria helena sleutjes
Lembranças de um tempo
que não houve
com longas asas
sobrevoam o deserto.
Sob o céu de junho
movem-se
figuras geométricas
elementares.
Homens-hologramas
vestem restos de cores.
Duas linhas equidistantes
não se transformam
em círculo.
Um beija-flor ao longe
rouba a cena
do infinito.
AVISO
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
[Azulejaria - Pássaros de Silas Raposo - Painel da Escola de Veterinária de UFMG]
AVISO
maria helena sleutjes
Poesia
não me visite hoje.
Aquém da tristeza
a vida se equilibra.
Além de mim mesma
a vida prossegue
como um autômato.
Alcanço-a
numa cidade
povoada por pardais.
Ao entardecer eles cantam
descompassadamente
e se revolvem
nos galhos das árvores.
Pardais são pássaros?
Poesia, por favor,
não me visite hoje.
PEDAÇOS VIVOS
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
[imagem da Internet: http://fotos.sapo.pt/TKsZy7fHLSnb7jjsBLD]
PEDAÇOS VIVOS
maria helena sleutjes
Vi teus olhos
pendidos
das fissuras das rochas,
cravados
nas paredes das encostas,
no tinir do tempo,
pedaços vivos.
Como os girassóis
de Van Gogh
teu sol girou
meu caleidoscópio.
Alguém lembrou
as coordenadas do tempo:
crosta indestrutível.
Agora,
como enganar
minha memória?



