ESTAÇÃO 56
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
ESTAÇÃO 56
maria helena sleutjes
[ ...as têmporas da romã, as têmporas da maçã, as têmporas da hortelã. As pitangas temporãs. O tempo temporão. Murilo Mendes]
Clamo no deserto
tardes inteiras…
Se você me ouve
saiba que o tempo,
delicada corda,
roubou a minha lira.
Minha voz,
em ecos repartida,
perde-se.
Mesmo assim,
reclamo minha herança:
esta terra desolada
que herdei dos meus
contemporâneos
plena de angústias.
Minha sede…
minha fome enganadora.
Enquanto burilo a alma
a vida salpica-me
o rosto
de terra
arreia lavada
barro
e concreto.
Resisto.
Faço as malas
pego o trem da minha
história
- Para onde?
5 Responses to “ESTAÇÃO 56”
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Ana Miranda Says:
February 8th, 2010 at 23:31Para onde?
Não importa, desde que seja para sempre perto de mim…
Quero muito ter a minha história entrelaçada à sua, que para mim, é simplesmente linda!!! -
Deborah Reis Says:
February 10th, 2010 at 08:59Para onde a poesia te levar, para perto de ti mesma, para o mar alto das tuas letras.
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Ale Says:
February 19th, 2010 at 16:06O espaço, o “para onde” é sempre um lugar do Agora, com todas as angústias. Belíssimo!
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Ana másala Says:
February 21st, 2010 at 04:02Para onde os versos te levarem.Vá! Vamos de carona!Contudo, não deixes de voltar.
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anderson fabiano Says:
February 26th, 2010 at 13:09leninha,
creio que (P)essoas iluminadas como você teem destino certo: a eternidade. e lá, a areia será orvalho, doce e refrescante; a terra, antes ardida e lascerante, será um tapete de pétalas, para repouso de suas passadas. e, se de lá, você lembrar daqueles que amam você, mande-nos mais poesias.
meu carinho,
anderson fabiano

