ERRÂNCIA

lagrima3[1]

ERRÂNCIA

maria  helena sleutjes

Vi-me assim
no recorte da montanha
silhueta desenhada
pela lua
uma fresta
uma fissura
uma lembrança.

Vi-me assim
nesta distância
dos teus olhos
névoa esbranquiçada
quase um risco
um rabisco
um arabesco
um pedaço de gesso
uma errância.

NAISSANCE DE MIRÓ por Paul Eluard

MIRÓ 2

[ l'oiseau solaire de Joan Miró]

Quando o pássaro do dia, debatendo-se ao nascer, vem  aninhar

dentro das árvores, suas cores; Miró saboreia o ar puro, o campo,

o leite, os animais, seus olhos simples e sua ternura e o sentido

glorioso de colher uma cereja com a boca.

Nada para ele nunca foi melhor que um caminho de laranjas e malvas,

de casas amarelas, de árvores rosas, a terra, sob um céu de raízes

de oliveiras.

Primeira manhã, última manhã, o mundo se inicia.

Isolar-me-ei, obscurecer-me-ei para reproduzir mais fielmente a vida

fremente, a transformação?

As palavras agarram-se a mim que estou do lado de fora, no coração

deste mundo inocente que me fala, que me vê, que me escuta e

onde Miró reflete, desde sempre,  a mais transparente metamorfose.

                     (Éluard, Paul,   Cahiers d'Art, 1937. Tradução
                             Maria Helena Sleutjes)

DESALENTO

Medito

DESALENTO

 maria helena sleutjes
Minhas palavras
dormem
abraçadas umas às outras
sem fazerem sentido.
No silêncio
a voz do tempo
sussurra:
um beija-flor morreu
de frio esta noite…
Meu pensamento
viaja
de um lado para o outro
sem encontrar repouso.

Manhã, pousa no galho
desta árvore
e se transforme
em pássaro!

Noite,
da-me de beber
na concha da mão
da vida!

Lua,
agasalha-me
de novo.

TARDE DE AUTÓGRAFOS NA ACADEMIA/JF

Estamos no Colégio Academia de Comércio de Juiz de Fora.

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Um dos melhores e mais antigos colégios da região.

Neste ambiente ao mesmo tempo tradicional e moderno,

nosso livro  THEODORO e MARINA: CONFIDENCIAL : Cartas para sentir a infância, foi adotado nas quatro turmas da quinta série.

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Este maravilhoso trabalho de leitura, interpretação e  incentivo a correspondência  com alunos de outras escolas,  foi uma iniciativa da Professora Erika Mayrink Vullu, coordenadora de língua portuguesa do ensino fundamental da Academia.

Diretamente com o livro e  os alunos das quintas séries, as professoras Eliane Escobar e Valéria Duarte trabalharam com   dedicação, empenho, competência e entusiasmo.

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Durante aproximadamente duas horas os alunos demonstraram não só ter efetuado a leitura do livro mas e principalmente, saber falar sobre o que foi lido.

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As cartas, esta forma já não tão utilizada para falar com os amigos, acabaram tocando forte o interesse desses alunos cheios de vida e curiosidade.

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É tão importante para os autores de livros infantis

este contato com seu público leitor.

Verifico novamente  que alunos bem orientados  gostam de ler e gostam muito. Que crianças  bem assistidas leem compreendendo, assimilando, trocando, observando, comunicando o conhecimento adquirido.

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Como foi agradável conversar com eles!!

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Eles queriam saber coisas raramente exploradas, tais como:

- Até que ponto o que estava escrito era real ou imaginário?

- Se a Marina e o Theordoro de fato existiam?

- Se o livro foi escrito através de cartas trocadas pelas autoras

ou através de e-mails?

- Por que escolhemos as cartas para nos comunicar?

Mil perguntas!!!!!

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Convivi nestes dois dias com observadores sinceros  que interpretaram;   questionaram e muito me acrescentaram.

Sugeriram a edição do Theodoro e Marina II  sem saber que  a primeira edição do Theodoro e Marina I,  já está esgotada.

Minha parceira no livro, Claudia Freira Lima, tem razão quando diz que “criança é mestra, doutora e livre docente”.

Acompanhando-me nesta  belíssima experiência, esteve a artista

Cristine Guadelupe, responsável por quase todas estas fotos.

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Agradeço a direção da Academia pela oportunidade e parabenizo o colégio pelo resultado alcançado.

MEU DIA PERFEITO

NO TEATRO MEZCLA

– MEU DIA PERFEITO –

Ricardo Martins e Marcos Marinho

Meu dia perfeito

[ fotografia de Vania Marinho]

MEU  DIA  PERFEITO é o título da peça de Ricardo Martins, encenada por Marcos Marinho, vivendo um personagem único que movimenta toda a trama, numa demonstração de talento muito raro.

A peça gira em torno de um homem e seu domingo. Um homem como eu, como você, como todos os habitantes do planeta, que inventa a vida para escapar da solidão. Um homem que existe na paisagem urbana de qualquer país, em qualquer cidade, que pode falar qualquer idioma, que nos faz rir e nos faz chorar e nos leva incontrolavelmente a examinar as grandes misérias do cotidiano.

As falas, os episódios, dão margem a inúmeros desdobramentos e reflexões: – Estamos ou não estamos sós?  Quantos existem dentro de nós?  Somos conduzidos ou conduzimos nossas vidas? Até que ponto o que vivemos é fantasia ou realidade?

Este homem, que somos todos nós, está repleto de expectativas que acabam se realizando ou se esfacelando através dos valores assimilados no dia a dia – os dramas dos jornais que lê e passa a viver; o amor a natureza (num rápido e fugaz olhar para a beleza); a tentativa de se manter em equilíbrio (na meditação) e as dificuldades impostas pelo movimento urbano; a dança da vida (para lá e para cá) na demonstração da alternante alegria interna; a distância  das pessoas no isolamento do prédio; a companheira que não dialoga mesmo tão próxima; o rádio, a TV, na invasão de sua privacidade; o amigo imaginário… Impressões da vida gravadas na alma, o espanto, a alegria, as frustrações, o sofrimento.  Haveria esperança?

Você vai viver o inquietamento de se perguntar a todo momento: _ O que busca de fato este homem? E a grande e única resposta: Não estar só.

Vale a pena assistir e estará em cartaz no MEZCLA (Juiz de Fora – Rua Benjamim Constant,  ao lado do MAMM/UFJF) durante o mês de janeiro.