ERRÂNCIA
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
![lagrima3[1] lagrima3[1]](http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2009/12/lagrima31.jpg)
ERRÂNCIA
maria helena sleutjes Vi-me assim no recorte da montanha silhueta desenhada pela lua uma fresta uma fissura uma lembrança. Vi-me assim nesta distância dos teus olhos névoa esbranquiçada quase um risco um rabisco um arabesco um pedaço de gesso uma errância.
NAISSANCE DE MIRÓ por Paul Eluard
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas

[ l'oiseau solaire de Joan Miró]
Quando o pássaro do dia, debatendo-se ao nascer, vem aninhar
dentro das árvores, suas cores; Miró saboreia o ar puro, o campo,
o leite, os animais, seus olhos simples e sua ternura e o sentido
glorioso de colher uma cereja com a boca.
Nada para ele nunca foi melhor que um caminho de laranjas e malvas,
de casas amarelas, de árvores rosas, a terra, sob um céu de raízes
de oliveiras.
Primeira manhã, última manhã, o mundo se inicia.
Isolar-me-ei, obscurecer-me-ei para reproduzir mais fielmente a vida
fremente, a transformação?
As palavras agarram-se a mim que estou do lado de fora, no coração
deste mundo inocente que me fala, que me vê, que me escuta e
onde Miró reflete, desde sempre, a mais transparente metamorfose.
(Éluard, Paul, Cahiers d'Art, 1937. Tradução
Maria Helena Sleutjes)
DESALENTO
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
DESALENTO
maria helena sleutjesMinhas palavras dormem abraçadas umas às outras sem fazerem sentido. No silêncio a voz do tempo sussurra: um beija-flor morreu de frio esta noite… Meu pensamento viaja de um lado para o outro sem encontrar repouso.
Manhã, pousa no galho desta árvore e se transforme em pássaro!
Noite, da-me de beber na concha da mão da vida!
Lua, agasalha-me de novo.
TARDE DE AUTÓGRAFOS NA ACADEMIA/JF
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
Estamos no Colégio Academia de Comércio de Juiz de Fora.

Um dos melhores e mais antigos colégios da região.
Neste ambiente ao mesmo tempo tradicional e moderno,
nosso livro THEODORO e MARINA: CONFIDENCIAL : Cartas para sentir a infância, foi adotado nas quatro turmas da quinta série.

Este maravilhoso trabalho de leitura, interpretação e incentivo a correspondência com alunos de outras escolas, foi uma iniciativa da Professora Erika Mayrink Vullu, coordenadora de língua portuguesa do ensino fundamental da Academia.
Diretamente com o livro e os alunos das quintas séries, as professoras Eliane Escobar e Valéria Duarte trabalharam com dedicação, empenho, competência e entusiasmo.

Durante aproximadamente duas horas os alunos demonstraram não só ter efetuado a leitura do livro mas e principalmente, saber falar sobre o que foi lido.


As cartas, esta forma já não tão utilizada para falar com os amigos, acabaram tocando forte o interesse desses alunos cheios de vida e curiosidade.

É tão importante para os autores de livros infantis
este contato com seu público leitor.
Verifico novamente que alunos bem orientados gostam de ler e gostam muito. Que crianças bem assistidas leem compreendendo, assimilando, trocando, observando, comunicando o conhecimento adquirido.


Como foi agradável conversar com eles!!

Eles queriam saber coisas raramente exploradas, tais como:
- Até que ponto o que estava escrito era real ou imaginário?
- Se a Marina e o Theordoro de fato existiam?
- Se o livro foi escrito através de cartas trocadas pelas autoras
ou através de e-mails?
- Por que escolhemos as cartas para nos comunicar?
Mil perguntas!!!!!

Convivi nestes dois dias com observadores sinceros que interpretaram; questionaram e muito me acrescentaram.
Sugeriram a edição do Theodoro e Marina II sem saber que a primeira edição do Theodoro e Marina I, já está esgotada.
Minha parceira no livro, Claudia Freira Lima, tem razão quando diz que “criança é mestra, doutora e livre docente”.
Acompanhando-me nesta belíssima experiência, esteve a artista
Cristine Guadelupe, responsável por quase todas estas fotos.


Agradeço a direção da Academia pela oportunidade e parabenizo o colégio pelo resultado alcançado.
MEU DIA PERFEITO
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Resenhas
NO TEATRO MEZCLA
– MEU DIA PERFEITO –
Ricardo Martins e Marcos Marinho
[ fotografia de Vania Marinho]
MEU DIA PERFEITO é o título da peça de Ricardo Martins, encenada por Marcos Marinho, vivendo um personagem único que movimenta toda a trama, numa demonstração de talento muito raro.
A peça gira em torno de um homem e seu domingo. Um homem como eu, como você, como todos os habitantes do planeta, que inventa a vida para escapar da solidão. Um homem que existe na paisagem urbana de qualquer país, em qualquer cidade, que pode falar qualquer idioma, que nos faz rir e nos faz chorar e nos leva incontrolavelmente a examinar as grandes misérias do cotidiano.
As falas, os episódios, dão margem a inúmeros desdobramentos e reflexões: – Estamos ou não estamos sós? Quantos existem dentro de nós? Somos conduzidos ou conduzimos nossas vidas? Até que ponto o que vivemos é fantasia ou realidade?
Este homem, que somos todos nós, está repleto de expectativas que acabam se realizando ou se esfacelando através dos valores assimilados no dia a dia – os dramas dos jornais que lê e passa a viver; o amor a natureza (num rápido e fugaz olhar para a beleza); a tentativa de se manter em equilíbrio (na meditação) e as dificuldades impostas pelo movimento urbano; a dança da vida (para lá e para cá) na demonstração da alternante alegria interna; a distância das pessoas no isolamento do prédio; a companheira que não dialoga mesmo tão próxima; o rádio, a TV, na invasão de sua privacidade; o amigo imaginário… Impressões da vida gravadas na alma, o espanto, a alegria, as frustrações, o sofrimento. Haveria esperança?
Você vai viver o inquietamento de se perguntar a todo momento: _ O que busca de fato este homem? E a grande e única resposta: Não estar só.
Vale a pena assistir e estará em cartaz no MEZCLA (Juiz de Fora – Rua Benjamim Constant, ao lado do MAMM/UFJF) durante o mês de janeiro.