ENTARDECE ( prosa poética)
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Prosa poética

ENTARDECE
maria helena sleutjes
A tarde quedou-se assim, num delírio de cores angustiantes.
O dia precisava morrer?
Perguntei-me como quem não quer seguir adiante
mas não tem alternativa.
Um tom metálico, nem negro nem cinza,
de coisa não finda nem ressuscitada,
crescia na distãncia de todas as coisas vivas.
A vida se foi ou ainda está viva?
Quem vê e sente toda esta mistura?
Meus olhos, que pintam enganos na tela da minha mente?
Não confio neles.
Trêmula, minha alma vacila.
Seria ela a criatura misteriosa que dentro de mim conta silenciosamente os pingos de chuva?
Sentimentos amotinados combinam com este quadro escuro.
No tabuleiro de xadrez, bispos e cavaleiros marcham convulsamente sobre a minha sorte.
Perco a partida.
O que poderia tocar-me profundamente agora?
Não ouso mover um músculo.
E a noite desce plácida e serena como se o sentir humano não existisse.
Pergunto-me ao antever de relance a solidão que me espera:
Em que curva do caminho esqueci de desenhar teu vulto?
4 Responses to “ENTARDECE ( prosa poética)”
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Ana Miranda Says:
November 2nd, 2009 at 12:59Que lindo!!!!
“A vida se foi ou ainda está viva?”
Eis uma dúvida que tbm tem me perturbado ultimamente… -
Alair Says:
November 2nd, 2009 at 13:09Estou perplexa! Quanta dor! Maria Helena, suas palavras apertaram meu peito, estrangularam a minha fala e me deixaram assim tão fora de mim quanto maravilhada pela expressão deste sentimento de saber que tudo vai morrendo e algumas coisas morrem sem nem mesmo florescer.
Voltarei mais vezes. -
Cris Says:
November 3rd, 2009 at 05:08Sem dúvidas o mais belo que li e o mais doloroso também. Preciso dizer que me identifico até com as vírgulas?
Às vezes sinto que minha vida está indo…
Talvez eu apenas deva ir junto com ela. -
helena luna Says:
November 5th, 2009 at 00:17Eu é que não ouso mexer um músculo ante o impacto da beleza dos teus versos. Aliás em nada me admira, sei do seu talento. Meu abraço com afeto. helenaluna
