JUIZ DE FORA
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas

[vista aérea da cidade a partir do Independência Shopping]
JUIZ DE FORA
maria helena sleutjes
Estamos no útero da terra
onde germinam
antigos sonhos
mas ainda não germinam
os sonhos de agora.
Por todos os lados
MON_TA_NHAS
e as nuvens
cavalgando o horizonte.
De repente,
tudo se transforma.
CHOVE!
Copiosamente chove…
Chove para que a vida
ganhe vida
e o dia nasça verde
como a aurora.
No vento,
segue o rio Paraibuna
sobre seu leito
de pedras escuras
murmurando:
erraram o nome da cidade,
poderia ser
RIO DE DENTRO
mas nunca
JUIZ DE FIRA.
SEMPRE
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas

Sempre te chamo
no enternecimento das horas
quando o dia encontra a noite
e saem de braços dados
com a vida.
Sempre te amparo
no dilúvio dos sonhos
ao abrigo das chuvas
no aconchego da brisa
que ameniza as contradições.
Sempre
caminho contigo
no tempo de daqui a pouco
que não finda.
Formas Fractais
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas


ENTARDECE ( prosa poética)
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Prosa poética

ENTARDECE
maria helena sleutjes
A tarde quedou-se assim, num delírio de cores angustiantes.
O dia precisava morrer?
Perguntei-me como quem não quer seguir adiante
mas não tem alternativa.
Um tom metálico, nem negro nem cinza,
de coisa não finda nem ressuscitada,
crescia na distãncia de todas as coisas vivas.
A vida se foi ou ainda está viva?
Quem vê e sente toda esta mistura?
Meus olhos, que pintam enganos na tela da minha mente?
Não confio neles.
Trêmula, minha alma vacila.
Seria ela a criatura misteriosa que dentro de mim conta silenciosamente os pingos de chuva?
Sentimentos amotinados combinam com este quadro escuro.
No tabuleiro de xadrez, bispos e cavaleiros marcham convulsamente sobre a minha sorte.
Perco a partida.
O que poderia tocar-me profundamente agora?
Não ouso mover um músculo.
E a noite desce plácida e serena como se o sentir humano não existisse.
Pergunto-me ao antever de relance a solidão que me espera:
Em que curva do caminho esqueci de desenhar teu vulto?

