JUIZ DE FORA

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[vista aérea da cidade a partir do Independência Shopping]

JUIZ  DE  FORA

maria helena sleutjes

Estamos  no útero da terra

onde germinam

antigos  sonhos

mas ainda não germinam

os sonhos de agora.

Por todos os lados

MON_TA_NHAS

e as nuvens

cavalgando o horizonte.

De repente,

tudo se transforma.

CHOVE!

Copiosamente  chove…

Chove para que a vida

ganhe vida

e o dia nasça verde

como a aurora.

No vento,

segue o rio  Paraibuna

sobre seu leito

de pedras escuras

murmurando:

erraram o nome da cidade,

poderia ser

RIO DE DENTRO

mas nunca

JUIZ DE FIRA.

SEMPRE

circulos

Sempre te chamo

no enternecimento das horas

quando o dia encontra a noite

e saem de braços dados

com a vida.


Sempre te amparo

no dilúvio dos sonhos

ao abrigo das chuvas

no aconchego da brisa

que ameniza as contradições.


Sempre

caminho contigo

no tempo de daqui a pouco

que não finda.

Formas Fractais

Sob a chancela da FUNALFA, o livro FORMAS FRACTAIS de autoria de Maria Helena Sleutjes e Cristine Guadelupe está no prelo com
lançamento previsto para o primeiro semestre de 2010.
É um interessante trabalho de parceria conjugando poesia e imagens fractais. O livro será composto por 30 lâminas coloridas, de tamanho A4, contendo  imagens  fractais de Cristine Guadelupe criadas exclusivamente para os poemas de Maria Helena Sleutjes. As lâminas serão acondicionadas em estojo especial. Uma edição limitada que aliará forma e conteúdo originais.
Abaixo um pouquinho do livro:
formas fractais final 2.0_Page_1
formas fractais final 2.0_Page_3
formas fractais final 2.0
Para ler o poema clique sobre a imagem para ampliá-la.

ENTARDECE ( prosa poética)

solidao

ENTARDECE

maria helena sleutjes

A tarde quedou-se assim, num delírio de cores angustiantes.

O dia precisava morrer?

Perguntei-me como quem não quer seguir adiante

mas não tem alternativa.

Um tom metálico, nem negro nem cinza,

de coisa não finda nem ressuscitada,

crescia na distãncia de todas as coisas vivas.

A vida se foi ou ainda está viva?

Quem vê e sente toda esta mistura?

Meus olhos, que pintam enganos na tela da minha mente?

Não confio neles.

Trêmula, minha alma vacila.

Seria ela a criatura misteriosa que dentro de mim conta silenciosamente os pingos de chuva?

Sentimentos amotinados combinam com este quadro escuro.

No tabuleiro de xadrez, bispos e cavaleiros marcham convulsamente sobre a minha sorte.

Perco a partida.

O que poderia tocar-me profundamente agora?

Não ouso mover um músculo.

E a noite desce plácida e serena como se o sentir humano não existisse.

Pergunto-me ao antever de relance a solidão que me espera:

Em que curva do caminho esqueci de desenhar teu vulto?