POEMAS ENCENADOS
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
Abaixo,
os poemas encenados por Marcos Marinho e Helenita de Paulo na XII
Semana de Letras do CES-RJ.
JOGO DE LUCIDEZ
maria helena sleutjes

Começo primeiro:
No grande vão da noie
escuto meu próprio
silêncio
e ele me fala pausada
e demoradamente
da ilusão das pessoas.
Nela, eu me incluo
reticentemente…
Maya, continua:
Este abuso de sons
e imagens
invadindo os recortes
das mentes inocentes.
Este paraíso perdido
procurando morada
no pensamento.
Estas arestas
reclamando cores…
Passo a rodada
e a vida continua:
máscaras aladas
fecham as portas
da realidade
constantemente.
Para abri-las
deixo esta imensa sala
vazia.
Felicidade é escolha.
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NEL SILENZIO
[ inspirado na tela de Piero Dorazio com o mesmo nome]

A primeira pincelada
corta minha alma
de fora a fora.
Meu sangue vermelho
em matizes se desdobra
vermelho-laranja
vermelho-vermelho
vermelho-negro-vermelho.
Silêncio do desejo
a tela explode!
A dor
bate à porta dos homens
de hora em hora
- De que matizes queres a vida?
- Vermelho-laranja
Sombras
correm atrás das pessoas
pedaços voam
na tela do ser
mãos-movimento
tecem enganos.
- De que matizes queres o sonho?
- Vermelho-vermelho.
Coberto de heras
o corpo descansa
nos quadradinhos justapostos
- De que matizes queres o abismo?
Vermelho-negro-vermelho
ABSOLUTO.
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ENTRE PARÊNTESES
maria helena sleutjes

Vida,
eis-me aqui
com a alma torta
(amarfanhada)
os olhos gatos
( de olhar as cores)
a boca em linha reta
(sem sorrisos)
sondando meu abismo
(insondável)
As pessoas não mudam
e nisto, eu me incluo.
As pessoas sempre
esperam
(O que mesmo?)
Todos os dias
visto pequenas alegorias
(fantasmas)
óculos de sol
anel de ouro
cordão de prata.
Ainda ssim,
minha memória estilhaça
( a esperança)
Vida,
preciso nascer de novo
(ou ir embora)
Providencie uma passagem
de ida para mim mesmo
(urgentemente).
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SECRETAMENTE
maria helena sleutjes

Disse-me ao ouvido
” A vida é nossa”
Quis acreditar
mas não pude.
Disse-lhe ao ouvido
” A vida é bela
apesar de tudo”.
Ele,
acreditar não pode.
Olhamos consternados
para o deserto.
Nossos olhos transbordavam
flores.
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MENOS
maria helena sleutjes

Ontem
quando quebraram a lira dos anjos
o amor olhou pela janela
e ela, a dança da vida,
estava sentada
na beirada das horas
[palidamente]
Não há outro jeito
senão deixar o tempo
consertar a lira
{se é que a lira
vai ter conserto…}
Enquanto isto,
guarda-se a música
nas nuvens
até que chova.
Assim,
blocos de silêncio
formam a lua deltóide
de ir embora
para Varsóvia.
O vazio bicurfou-se
[indefinidamente]
Agora
tudo
é muito
MENOS.
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SOU
maria helena sleutjes

Este sussurrar nas dobras do tempo
Sou
o que seria?
Sequência infinita
do sonho de um sonho de um sonho
que não cessa…
[ onda do mar que ressoa]
Sopro de um deus que nos caminha
como um rio
que não tem repouso
[[fogo indecifrável do deserto].
Anjo demenciando incontáveis desvios
para sorrir, para chorar
e esconder o rosto
[ neve deslizando da montanha]
Acaso que apenas se cumpre
acaso que se multiplica
na profusão do querer ir e querer ficar
[pássaro ferido em seu vôo]
Soma zero de uma equação abandonada
enigma que não se explica
ar que se respira
Sou…
Até quando?
2 Responses to “POEMAS ENCENADOS”
-
Ana Miranda Says:
October 22nd, 2009 at 13:01Que prazer reler esses poemas bárbaros que vc escreveu!!!
É incrível como a cada leitura um chama-me mais a atenção. Hoje eu estou toda “Entre Parênteses”. Eh…eh…eh…
Você já percebeu que eu me aproprio sempre de seus poemas, né?
Obrigada por permiti-lo…
Beijos querida. -
Alair Says:
November 1st, 2009 at 22:28E eu estava lá bebendo cada palavra, participando deste momento único, do talento de quem escreveu os poemas e dos que fizeram aquela beleza de encenação. Ficamos todos maravilhados!! Parabèns!
Alair
