ENIGMA

magritte-die-blankovollmacht

[Quadro de Magritte - Le blanc-Seing- 1965]

ENIGMA

O vento atira

pedrinhas na vidraça:

” – Qui est lá?

- Personne.”

As nuvens engoliram o sol

de novo.

Vida e penumbra

se misturam.

Sobre a mesa

uma xícara quebrada

derrama

palavras soltas.

Tudo o que vemos

esconde  outra coisa.

“Isto não é um cachimbo”

disse Magritte.

Eu,

não digo mais nada.

A cada momento

sou outra pessoa.

2 Responses to “ENIGMA”

  1. Ana Says:
    July 28th, 2009 at 14:14

    Nossa, essa poesia me fez ver que eu estou precisando ser outra pessoa em determinados momentos.
    Ah, se fosse fácil…
    Ah, se a vida fosse simples e bela como essa poesia…
    Parabéns Mª Helena, não me canso de ler você!!!

  2. Cláudia Freire Lima Says:
    August 13th, 2009 at 22:12

    Puxa! Só por esse poema o presente foi mais precioso que uma jóia!
    Então é por isto que você é assim tão gostosa de se ter por perto – “A cada momento sou outra pessoa”, sempre diferente, mais quente, mais vibrante…mais bonita.
    Sinto sua falta tão profundamente e com um pouco de dor…
    Começaram minhas aulas, tenho muito o que estudar, mas mesmo quando não escrevo penso em você e em todos ai!
    Te amo.
    Cláudia.

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