CLAUDIA FREIRE LIMA
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas

C laudia de claridade
L uz
A brir espaços
U m compasso sobre águas
D elicadas
I ndefinidas…
A ve rara.
[ As pessoas não se encontram por acaso. Obrigada Claudia, por existir em minha vida.]
CRISTINE
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas

C ristine, misto de mistério
R isonho e triste
I reverente punhal (cris)
S om vibrando (tine)
T ear de arte
I nventando-se
N o seu mágico olho de
E xpressões fractais.
[ Cris, esta foi a forma que encontrei para dizer a você o quanto gostei deste fractal maravilhoso. Obrigada - você é o presente]
MUSA
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas

Agora
O que me é próprio
É não ser.
Minha alma
Como borboleta errante
Voa
Pelos verdes campos
De outrora.
Voltejo sobre rendas
Pelos gramados
Da lembrança
Pelas enseadas
Do querer.
Percebo:
A tarde não é
A vida não é
O outro não é
Mas a tarde era
Mas a vida era
Mas o outro era.
O outro…
Este conceito dentro de nós
Que procura abrigo
A esperança ida…
Memória
Musa
Que apropriou-se
Da história.
LEGADO
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Poemas
Eis-me aqui
como um velho peregrino
que anda pela estrada
guiando-se pelas cercas.
Aquela que não sou
reclama-me.
Plenificada de ausência
eis-me aqui
sem amanhã
nem lembranças.
GRIS
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Prosa poética
Minha tristeza, meu desencontro, minha forma quebrada de ser, pintou a manhaã de cinza escuro. Havia chuviscos, havia cantos longinquos de maritacas, havia meu olhar deslizando sobre o absurdo. Perguntava-me constantemente de onde vinha a opacidade do meu olhar de agora e respondia atrevida: de dentro, do fundo da alma onde as cortinas balancam e se calam, onde as portas se fecham e passo a ser o que sou - o avesso do avesso do avesso. Caminho sob os chuviscos. No desconforto de mim. Encontro rostos anônimos. Ouço pedaços de conversas. Observo o João de Barro procurando gravetos na areia. Encontro uma sabiá com seu bico de espora. Ela me devora. Tento dizer alguma coisa… Não falo a língua dos pássaros e na língua dos homens todas as coisas já foram ditas, todas as palavras já foram escritas, todos os livros já foram lidos, todos os segredos desvendados. As cascas da árvores, as enigmáticas cascas das árvores sabem do que estou falando. Percebo-me assim, casca. Apanho os chuviscos e caminho pela praça sem deixar vestígios. Meus passos nunca mais deixaram rastros. Pingo colírio nos olhos, para lembrar-me do meu estado humano, se que é isto ainda é possível.


