CLAUDIA FREIRE LIMA

beijo-alado

C laudia de claridade

 

L uz

 

A brir espaços

 

U m  compasso sobre águas

 

D elicadas

 

I ndefinidas…

 

A ve rara.

                       [ As pessoas não se encontram por acaso. Obrigada Claudia, por existir em minha vida.]

CRISTINE

fractal-maria-helena-de-cristine-guadelupe3

C ristine, misto de mistério

R isonho e triste

I reverente  punhal (cris)

S om  vibrando (tine)

T ear de arte

I nventando-se

N o seu mágico olho de

E xpressões  fractais.

                                       [ Cris, esta foi a forma que encontrei para dizer a você o quanto gostei deste fractal maravilhoso. Obrigada - você é o presente]

MUSA

olhos-verdes-blog1

Agora

O que me é próprio

É não ser.

Minha alma

Como borboleta errante

Voa

Pelos verdes campos

De outrora.

Voltejo sobre rendas

Pelos gramados  

Da lembrança

Pelas  enseadas  

Do querer.

 

Percebo:

A tarde não é

A vida não é

O outro não é

Mas a tarde era

Mas a vida era

Mas o outro era.

 

O outro…

Este conceito dentro de nós

Que procura abrigo

A esperança ida…

 

Memória

Musa

Que apropriou-se

Da história.

 

LEGADO

surreal1

Eis-me aqui

como um velho peregrino

que anda pela estrada

guiando-se pelas cercas.

Aquela que não sou

reclama-me.

Plenificada de ausência

eis-me aqui

sem amanhã

nem lembranças.

GRIS

brisa

Minha tristeza, meu desencontro, minha forma quebrada de ser, pintou a manhaã de cinza escuro. Havia chuviscos, havia cantos longinquos de maritacas, havia meu olhar deslizando sobre o absurdo. Perguntava-me constantemente de onde vinha a opacidade do meu olhar de agora e respondia atrevida:  de dentro, do fundo da alma onde as cortinas balancam e se calam, onde as portas se fecham e passo a ser o que sou  - o avesso do avesso do avesso.   Caminho sob os chuviscos. No desconforto de mim. Encontro rostos anônimos. Ouço pedaços de conversas. Observo o João de Barro procurando gravetos na areia.  Encontro uma sabiá com seu bico de espora.  Ela me devora. Tento dizer alguma coisa… Não falo a língua dos pássaros e na língua dos homens todas as coisas já foram ditas, todas as palavras já foram escritas, todos os livros já foram lidos, todos os segredos desvendados. As cascas da árvores, as enigmáticas cascas das árvores sabem do que estou falando. Percebo-me assim, casca. Apanho os chuviscos e caminho pela praça sem deixar vestígios. Meus passos nunca mais deixaram rastros.  Pingo colírio nos olhos, para lembrar-me do meu estado humano, se que é isto ainda é possível.